XuntanzaNos dias 22 e 23 de julho de 2.006, em uma chácara situada na zona rural de nosso município, foi realizada a 1ª Xuntanza organizada pela Sociedade Espanhola de Piracicaba. Xuntanza é uma palavra do idioma galego, falado na região espanhola da Galícia, que significa reunião de pessoas. Essas reuniões podem finalidades diversas, inclusive festivas. Esse foi o caso da xuntanza de Piracicaba, eis que visou a confraternização dos membros da comunidade espanhola de Piracicaba e de outras cidades. Participaram a xuntanza de piracicaba, além das integrantes da comunidade local, pessoas vindas das cidades de Americana, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Claro, Santos, São Paulo e Tietê. A xuntanza ocorreu na semana em que são realizadas festas em homenagem a São Tiago Maior, cujo dia é 25 de julho. São Tiago Maior, um dos doze apóstolos, também é conhecido como “Santiago, o Grande” ou mais frequentemente como Santiago de Compostela. Santiago além de emprestar seu nome à cidade de Compostela, é o patrono da Galícia e de toda a Espanha. Daí a razão pela qual, nessa época, em várias locais do Brasil a comunidade espanhola realiza festas. No Estado de São Paulo, além da xuntanza realizada em Piracicaba, no corrente ano foram realizadas festas em Santos, São Paulo, Catanduva e Campinas. A xuntanza de Piracicaba foi bastante concorrida e as pessoas que dela participaram puderam ver, muitas pelas primeira vez, um grupo de gaiteros e um bailado galego. Para alguns foi uma surpresa saber que a gaita de fole não é um instrumento que se toca apenas na Escócia, mas que, na verdade, está presente também em várias regiões da Espanha e até mesmo em Portugal. Deliciaram-se as pessoas ao assitir o grupo de jovens, vestidas a caráter, bailando muiñeras e outras danças típicas da Espanha. Deliciaram-se, também, com a favada que foi servida como prato principal. A favada é um prato asturiano, ou seja, típico do Principado das Astúrias, região autônoma espanhola que se situa ao norte da Galícia. A favada é feita com fava asturiana (um feijão grando, imenso), chourizo espanhol, morcilla e outros pertences. Alguns a apelidam de feijoada espanhola. Além da favada também foi servido um cocido (cozido), prato comum na Galicia, mas que, na nossa xuntanza, foi abrasileirado com o acréscimo de feijão comum. Vários quitutes antecederam esses pratos, sendo certo que os mais apreciados foram o jamón (xamón em galego, que é um presunto crú e curado e não defumado) e o pão com tomate e alho (“pá amb tomaquet” na ligua catalã, outro idioma falado na Espanha). Tudo, obviamente, acompanhado de bons copos de vinho. Durante todo o sábado (dia 22) as pessoas comeram, tertuliaram, cantaram e dançaram. À noite, como ocorre na Galicia, uma acendeu-se uma fogueira. O grupo Caminos de España dançou com seus trajes típicos ao ar livre, sobre o amplo gramado da chácara. Alguns casais, menos tímidos, também dançaram. Em seguida, ao lado da fogueira, foi feita a “queimada”. Trata-se de um ato do folclore galego, no qual, enquanto é preparado um tipo de licor à vista de todos, é lido um exconjuro para espantar demônios, bruxas, má sorte e tudo o que exista de mal. Na preparação do licor, os ingredientes (grãos de café torrado, açúcar e bagaceira) são colocados em um recipiente e à eles se ateia fogo. Por fim, terminada a leitura do exconjuro, o licor é servido. Foi assim que, no sábado, a festa terminou. Mas não acabou, pois, no domingo, as pessoas voltaram para cantar, dançar e comer, o que só parou lá pelo final da tarde porque no dia seguinte todos tinham que trabalhar. Manoel Lomba |